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Alemanha, Áustria e Suíça

Alemanha, Áustria, Suíça e Eslovênia aparecem no lunova3 pelas cidades muradas da Rota Romântica, pelos castelos ligados à música e pelas festas em que os moradores ainda vestem trajes tradicionais. A rede de trens é a melhor do continente, e quase todos os destinos funcionam sem carro.

Mapa da Alemanha, Áustria, Suíça e Eslovênia com 20 destinos marcados, de Hamelin e do Harz a Rothenburg, Nuremberg, Hallstatt, Lucerna, Chillon e Bled, com Frankfurt, Munique e Zurique como portas de entrada.
Destinos com guia no lunova3 na Alemanha, Áustria, Suíça e Eslovênia. Mapa: lunova3, base Natural Earth.

Panorama histórico: o Sacro Império e seus pedaços

Alemanha, Áustria e Suíça dividem uma história comum: durante quase mil anos, fizeram parte do Sacro Império Romano-Germânico, uma estrutura política frouxa que reunia centenas de territórios com governo próprio. Havia ducados, bispados, abadias, condados e cidades que respondiam diretamente ao imperador. Essa fragmentação explica por que a região tem tantas cidades históricas pequenas e bem preservadas, cada uma com muralha, prefeitura e mercado próprios.

Imperadores, duques e cidades livres

O Império ganhou forma com a coroação de Oto I em 962. O imperador era eleito por um grupo de príncipes, e seu poder real dependia das alianças do momento. Nas cidades imperiais livres, como Rothenburg ob der Tauber e Nuremberg, os burgueses governavam por conta própria e investiam em muralhas, torres e corporações de ofício, ainda visíveis no artesanato de Rothenburg. Duques ricos, como os da Baviera-Landshut, competiam em luxo: o casamento de Landshut, em 1475, foi uma demonstração de poder diante de toda a Europa Central.

Reforma e Guerra dos Trinta Anos

Em 1521, Martinho Lutero foi escondido no Castelo de Wartburg, na Turíngia, onde traduziu o Novo Testamento para o alemão. A Reforma dividiu o Império entre territórios católicos e protestantes, e o conflito culminou na Guerra dos Trinta Anos (1618–1648), que devastou cidades e campos. Algumas cidades, como Rothenburg, empobreceram tanto que deixaram de construir por séculos, o que acabou preservando seu aspecto medieval.

Habsburgos, sal e montanhas

Na Áustria, a dinastia dos Habsburgos consolidou seu poder a partir do fim do século XIII. A riqueza dos Alpes vinha do sal: as minas de Hallstatt são exploradas desde a pré-história, e Hall in Tirol cresceu com as salinas e com a casa da moeda instalada ali no fim do século XV (veja povoados alpinos entre Hall in Tirol e Kranj e lagos com fortalezas, de Hallstatt a Lucerna). A Suíça seguiu outro caminho: a partir de 1291, comunidades alpinas formaram alianças de defesa mútua contra os Habsburgos, origem da Confederação Suíça.

Quando ir

Maio, junho e setembro são os meses mais equilibrados: clima agradável, cervejarias ao ar livre abertas e menos filas que em julho e agosto.

Junho e julho de 2027 têm um motivo extra: a próxima edição do Casamento de Landshut, de 25 de junho a 18 de julho de 2027. A festa só acontece a cada quatro anos.

Julho e agosto são a melhor época para os Alpes, com trilhas e teleféricos funcionando a pleno. Do fim de novembro até 23 ou 24 de dezembro, as cidades se enchem de mercados de Natal, a época mais fotogênica da região, mas também a mais disputada para hospedagem.

Roteiros sugeridos

Rota Romântica em 5 dias: de Würzburg a Füssen, com paradas em Rothenburg ob der Tauber, Dinkelsbühl e Nördlingen. Funciona melhor de carro; de trem, é possível, mas exige conexões em estações pequenas.

Munique como base, 4 dias: a cidade, um dia em Landshut (45 minutos de trem) e um bate-volta a Salzburgo ou aos lagos da Baviera.

Turíngia em 2 ou 3 dias: Eisenach e o Castelo de Wartburg, combinados com Erfurt, uma das cidades medievais mais bem conservadas do centro da Alemanha.

Tirol e Salzkammergut em 5 dias: Innsbruck como base para Hall in Tirol, seguindo para Salzburgo e Hallstatt. Para quem quer estender, Lucerna fica a algumas horas de trem pela Suíça.

Como se locomover

A Alemanha e a Áustria têm algumas das melhores redes de trem da Europa. Tempos aproximados:

  • Munique → Landshut: cerca de 45 minutos.
  • Munique → Innsbruck: cerca de 1h45.
  • Munique → Salzburgo: cerca de 1h30.
  • Salzburgo → Hallstatt: trem até a estação de Hallstatt e balsa curta pelo lago, ou ônibus via Bad Ischl.
  • Frankfurt → Eisenach: cerca de 1h45.

Na Alemanha, o Deutschlandticket, um passe mensal digital, cobre trens regionais, ônibus e metrôs no país todo e costuma compensar para quem fica mais de alguns dias. Ele não vale para os trens de alta velocidade (ICE e IC).

A mesa como parte da história

Na região, comer é uma das formas mais diretas de encontrar a Idade Média. As pequenas salsichas de Nuremberg seguem regras de tamanho e receita protegidas, e os pães de mel (Lebkuchen) da cidade vêm de uma tradição de confeiteiros que já existia no século XIV. O texto sobre receitas da Idade Média servidas até hoje mostra onde provar cada uma.

As cervejarias de mosteiro são outro exemplo. Muitas abadias da Baviera fabricam cerveja há séculos, e algumas ainda funcionam no mesmo lugar, com restaurante aberto ao público. No Tirol, as festas de verão e de colheita são ocasião para ver os trajes tradicionais fora dos palcos, usados pelos próprios moradores.

Para entender antes de ir

Na Alemanha, quase toda cidade histórica tem uma prefeitura (Rathaus) na praça do mercado, uma igreja principal e restos de muralha. Saber se a cidade era imperial livre, sede de bispado ou residência de um duque ajuda a entender por que ela tem a aparência que tem. Comece pelo guia de Rothenburg, que mostra uma cidade imperial livre por dentro, e pelo do Casamento de Landshut, que mostra a vida de uma corte ducal. Os guias por região estão logo abaixo.

Onde dormir

Nas cidades muradas da Rota Romântica, como Rothenburg e Dinkelsbühl, há hotéis em casas medievais dentro das muralhas, e vale ficar pelo menos uma noite: a ronda noturna do vigia de Rothenburg, por exemplo, só acontece depois que os grupos de excursão já foram embora. Nos Alpes austríacos, as pensões familiares (Gasthof) costumam incluir café da manhã farto e, no verão, o cartão de hóspede de muitas regiões dá transporte público e descontos em teleféricos.

Informações práticas

Porta de entradaFrankfurt e Munique (voos diretos de São Paulo); Zurique para a Suíça.
MoedaEuro na Alemanha, na Áustria e na Eslovênia; franco suíço na Suíça, onde os preços são bem mais altos.
DocumentosBrasileiros não precisam de visto para estadias de até 90 dias no espaço Schengen. A autorização eletrônica ETIAS (€20) está prevista para entrar em vigor a partir do fim de 2026; confira no site oficial da União Europeia se ela já é exigida na data da viagem. A Suíça não é da União Europeia, mas faz parte do Schengen.
Como se deslocarTrens da Deutsche Bahn, ÖBB e SBB. Para cidades pequenas sem estação, como Dinkelsbühl, ônibus regionais.
Melhor épocaMaio a outubro; dezembro para os mercados de Natal.

Baviera e Rota Romântica

A Baviera concentra as cidades muradas mais conhecidas da Alemanha, as festas de época mais elaboradas e boa parte dos mercados de Natal tradicionais.

Centro e leste da Alemanha

Turíngia e Saxônia guardam a Alemanha da Reforma e da mineração: castelos ligados a Lutero, cidades de comércio e oficinas movidas a água.

Áustria, Suíça e Eslovênia

Nos Alpes, a história medieval é a do sal, das passagens de montanha e das cidades que cobravam pedágio de quem atravessava os vales.