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Povoados alpinos entre Hall in Tirol e Kranj

Vista de Hall in Tirol com os Alpes ao fundo, na Áustria

Hall in Tirol, na Áustria, e Kranj, na Eslovênia, são cidades pequenas, a poucos minutos de capitais mais famosas (Innsbruck e Liubliana), e quase sempre ficam de fora dos roteiros. As duas têm centros históricos intactos e histórias curiosas, ligadas ao subsolo e ao dinheiro. Em Hall, foi a prata que saiu da montanha e virou moeda. Em Kranj, foi a rocha embaixo da cidade, escavada em túneis no século XX.

Hall in Tirol: a cidade do sal e da prata

Hall fica a 10 km de Innsbruck, no vale do rio Inn. Ela enriqueceu primeiro com o sal, extraído nas montanhas ao norte desde o século XIII e transportado de barco pelo rio. A cidade recebeu foral em 1303, e seu centro histórico é considerado o maior e mais bem preservado do Tirol, maior até que o de Innsbruck. A praça principal, a Oberer Stadtplatz, é cercada por casas góticas e pela prefeitura medieval.

Oberer Stadtplatz, a praça principal do centro histórico de Hall in Tirol
Foto: -wuppertaler / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A moeda que deu origem ao “dólar”

Em 1477, o arquiduque Sigismundo transferiu a casa da moeda do Tirol para Hall, aproveitando a prata das minas de Schwaz, ali perto. Em 1486, ela cunhou o Guldiner, uma das primeiras moedas grandes de prata da Europa. O modelo foi copiado na Boêmia, em Joachimsthal, onde a moeda ficou conhecida como thaler. Dessa palavra vem “dólar”.

A antiga casa da moeda funciona hoje como museu no Burg Hasegg, um castelo à beira do rio. Ali se veem as prensas de cunhagem, incluindo uma reconstrução da máquina movida a água, e o visitante pode cunhar a própria moeda comemorativa, de cobre ou de prata. A Münzerturm, a torre do castelo, é a marca da cidade, e do alto se vê todo o vale do Inn.

Placa na Münzerturm, a torre da antiga casa da moeda de Hall in Tirol
Foto: User:Mateus2019 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Preços (2026): museu da moeda €9,50, torre €6,50, ou €13 no ingresso combinado para adultos. Crianças de 6 a 16 anos pagam €9 no combinado, e o ingresso família (2 adultos e até 4 crianças) sai por €28. Cunhar uma moeda custa de €3,80 (cobre) a €35 (prata).

Como chegar: de Innsbruck, o trem regional chega a Hall em cerca de 10 minutos, e também há ônibus urbano. Innsbruck fica a menos de 2 horas de trem de Munique, que tem voo direto de São Paulo.

Kranj: a cidade sobre um penhasco de pedra

Kranj é a terceira maior cidade da Eslovênia e fica a 25 km de Liubliana, ao lado do principal aeroporto do país. O centro antigo ocupa uma ponta de rocha de conglomerado entre dois rios, o Sava e o Kokra. Pelos lados, a cidade é cercada por paredões, e só pelo norte se chega por terra. Essa posição fez de Kranj um ponto fortificado desde a Antiguidade. Foi ali que viveu os últimos anos e morreu, em 1849, o poeta France Prešeren, autor do hino da Eslovênia. A casa dele virou museu.

Vista do centro histórico de Kranj sobre o promontório rochoso, com telhados vermelhos e as montanhas ao fundo
Foto: Vid Pogacnik / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

O que fica embaixo da cidade velha

Nos anos 1940, os moradores cavaram 1.300 metros de túneis na rocha sob o centro antigo, para servir de abrigo. Hoje os túneis são visitados com guia, numa visita de cerca de 1 hora. O ingresso custa €7 para adultos e €5 para crianças até 16 anos e idosos. As visitas regulares saem às terças e sextas às 17h e aos sábados e domingos às 10h. Lá dentro faz entre 10 e 12 °C o ano inteiro, então leve casaco mesmo no verão.

O cânion dentro da cidade

Ao lado do centro histórico, o rio Kokra cavou um cânion de 30 metros de profundidade, que o turismo local apresenta como o segundo cânion urbano mais profundo da Europa. Uma trilha circular desce até o fundo, passando por restos de antigos moinhos e serrarias. As visitas guiadas custam €6 e acontecem às terças às 11h30 e às sextas às 16h, com inscrição até o dia anterior.

Como chegar: de Liubliana, ônibus e trens chegam a Kranj em cerca de 30 minutos. Do aeroporto de Liubliana, a cidade fica a uns 15 minutos de carro. Para quem sai do Brasil, as conexões mais comuns para Liubliana passam por Frankfurt, Munique, Zurique ou Istambul.

Dá para juntar as duas?

Dá, num roteiro pelos Alpes orientais: de Innsbruck a Liubliana são cerca de 4 a 5 horas de carro, passando por Salzburgo ou pela Caríntia. No caminho, dá para parar no lago de Bled, a 20 minutos de Kranj.

Quando ir

De maio a setembro, as duas cidades estão no melhor clima, com trilhas abertas e eventos ao ar livre. Hall tem programação cultural ao ar livre no centro antigo durante o verão, e em dezembro tem um mercado de Natal menor e mais tranquilo que o de Innsbruck. Kranj organiza festivais de verão no centro antigo, e o cânion fica mais bonito na primavera, quando o alho silvestre cobre as margens. Julho, mês das férias no Brasil, é uma boa época para as duas.

Resumo prático

Hall in Tirol10 min de trem de Innsbruck. Museu da Moeda no Burg Hasegg: €9,50; torre €6,50; combinado €13 (2026). Cunhar sua moeda: de €3,80 a €35.
Kranj30 min de ônibus ou trem de Liubliana; 15 min do aeroporto. Túneis: €7 adulto, visitas terça e sexta às 17h, sábado e domingo às 10h. Cânion do Kokra: €6.
Juntar as duasInnsbruck → Liubliana: 4 a 5 horas de carro. Bled fica a 20 min de Kranj.
Melhor épocaMaio a setembro; dezembro para o mercado de Natal de Hall. Leve casaco para os túneis (10–12 °C).

Fontes

Preços revisados em outubro de 2026.