Monumentos pouco conhecidos da Idade Média

Guaita, a torre mais antiga de San Marino, no alto do Monte Titano (adaptado)

Enquanto Paris, Roma e Praga concentram a maior parte dos turistas em busca de história medieval, dezenas de cidades menores espalhadas pela Europa guardam castelos, torres, mosteiros e muralhas tão bem preservados quanto os grandes ícones, só que quase vazios de visitantes. Reunimos alguns desses lugares, com detalhes concretos sobre sua origem e dicas práticas para quem quiser conhecê-los pessoalmente.

Český Krumlov, República Tcheca

Erguida em curva fechada do rio Vltava, a cidade cresceu ao redor de um castelo do século XIII que hoje é o segundo maior complexo castelar do país, atrás apenas do Castelo de Praga. O centro histórico, tombado pela UNESCO desde 1992, mantém o traçado medieval quase intacto, com mais de 300 edifícios protegidos. A melhor época para visitar é maio ou setembro, quando o fluxo de turistas de verão já diminuiu, mas o clima ainda permite caminhar tranquilamente pelas ruas de pedra.

Visby, Suécia

Na ilha de Gotland, Visby foi um dos portos mais importantes da Liga Hanseática entre os séculos XII e XIV. Restam quase 3,4 km de muralhas originais, o conjunto de fortificações medievais mais completo do norte da Europa, além de onze ruínas de igrejas góticas que nunca foram reconstruídas após incêndios e guerras. Todos os anos, entre julho e agosto, a cidade recebe a Medeltidsveckan, uma semana de recriação histórica com feiras, torneios e trajes de época.

Rothenburg ob der Tauber, Alemanha

Fundada no século XIII, a cidade escapou quase intacta dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial graças à intervenção de um general americano que reconheceu seu valor histórico antes de uma ofensiva final. Suas fachadas em enxaimel, os portões fortificados e a antiga prefeitura formam um dos conjuntos mais completos de arquitetura urbana medieval da Baviera. Vale reservar ao menos meia hora para subir a torre da prefeitura, de onde se vê todo o traçado da cidade murada.

Torre Guinigi, Lucca (Itália)

Construída no fim do século XIV pela família Guinigi, uma das mais influentes da cidade, essa torre de tijolos tem 45 metros de altura e um detalhe que a tornou famosa: um pequeno bosque de carvalhos plantado em seu topo, ainda vivo hoje. Subir os 230 degraus até lá em cima continua sendo uma das atividades mais procuradas por quem visita a Toscana fora do eixo Florença-Siena.

San Marino

No topo do Monte Titano, as três torres que dão nome ao símbolo nacional de San Marino, Guaita, Cesta e Montale, foram construídas entre os séculos XI e XIII para vigiar a fronteira da então recém-formada república, uma das mais antigas do mundo ainda existentes. Guaita, a mais antiga, funcionou até o século XIX como prisão. Nos dias claros, o mirante de Cesta permite avistar a costa da Croácia, do outro lado do Adriático.

Mosteiro de Rila, Bulgária

Fundado no século X por um eremita chamado João de Rila, o mosteiro foi reconstruído no século XIX após um incêndio, mas preserva relíquias e afrescos de origem medieval, além de ser o maior mosteiro ortodoxo do país. Está a cerca de duas horas de carro de Sófia e costuma ser visitado em excursões de um dia, mas quem pernoita nas hospedarias simples ao lado tem a chance de ver o local sem as excursões de turismo em massa, ainda de manhã cedo.

Abadia de Melk, Áustria

Embora sua fachada barroca atual date do século XVIII, a abadia beneditina foi fundada em 1089 e sua biblioteca guarda mais de 1.850 manuscritos medievais, alguns dos mais antigos do mundo germânico. A visita inclui o terraço com vista para o rio Danúbio e para o vale de Wachau, também Patrimônio Mundial da UNESCO.

Pont Valentré, Cahors (França)

Construída entre 1308 e 1378 sobre o rio Lot, essa ponte fortificada tem seis arcos góticos e três torres. A torre central ficou incompleta por décadas e, segundo a lenda local, isso se deveu a um pacto do construtor com o diabo. É uma das pontes fortificadas medievais mais bem preservadas da Europa e pode ser atravessada a pé em poucos minutos.

Ávila, Espanha

A muralha de Ávila, erguida a partir de 1090, tem 2,5 km de extensão, 88 torres semicirculares e nove portões, formando o conjunto de fortificação medieval mais completo da Espanha. Parte do trajeto sobre a muralha está aberta ao público mediante ingresso, e o trecho entre a Puerta del Alcázar e a Puerta de San Vicente oferece a melhor vista sobre a cidade e a catedral, que faz parte da própria estrutura defensiva.

Carcassonne, França

A cidadela murada de Carcassonne combina fortificações romanas, visigóticas e medievais, com uma dupla muralha de mais de 3 km e 52 torres. O aspecto atual, porém, é resultado de uma restauração polêmica feita no século XIX pelo arquiteto Eugène Viollet-le-Duc, que adicionou os telhados cônicos característicos, hoje motivo de debate entre historiadores sobre os limites entre preservação e reinvenção do patrimônio.

Monsanto, Portugal

Considerada “a aldeia mais portuguesa de Portugal” em concurso realizado em 1938, Monsanto tem casas construídas literalmente entre e sob enormes blocos de granito, usando as próprias rochas como paredes e tetos. As ruínas do castelo no topo do monte datam do século XII e oferecem vista para a fronteira com a Espanha.

San Gimignano, Itália

De um total de 72 torres construídas por famílias rivais entre os séculos XII e XIV, como símbolo de poder e disputa social, restam 14 hoje, o suficiente para que a cidade seja apelidada de “Manhattan medieval”. A melhor forma de apreciar o horizonte de torres é de longe, nas estradas rurais que cercam a cidade, ao entardecer.

Esses exemplos mostram que o patrimônio medieval europeu vai muito além dos roteiros mais fotografados: em cidades pequenas, muitas vezes fora dos itinerários tradicionais, é possível caminhar entre construções de 700 ou 800 anos com bem menos multidões, e em geral a um custo de viagem consideravelmente menor.

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