Ponte medieval de Besalú, Espanha. Foto: Mikipons / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (adaptada)
A Europa tem centenas de cidades medievais preservadas, mas a maior parte dos roteiros turísticos se concentra em meia dúzia de nomes: Praga, Toledo, Brugge, Carcassonne. Fora desse circuito, existem cidades igualmente intactas, algumas com muros mais bem preservados que os das famosas, outras com histórias curiosas que raramente aparecem em guias de viagem. Esta lista reúne sete delas, com o que as torna únicas.
Besalú, Espanha
Besalú, na Catalunha, é atravessada por uma ponte românica do século XI, com um pedágio medieval no meio do trajeto que ainda existe fisicamente na estrutura. A cidade preserva também um dos poucos miqvés (banhos rituais judaicos) medievais da Europa, descoberto só em 1964 sob uma construção posterior. Tem menos de 2.500 habitantes e não costuma aparecer nos roteiros padrão da Costa Brava.
Eguisheim, Alsácia (França)
Eguisheim se organiza em círculos concêntricos ao redor de uma torre central, o traçado ainda segue a planta original medieval, algo raro mesmo entre cidades preservadas. É a cidade natal do Papa Leão IX (nascido em 1002), e suas casas em enxaimel (a técnica construtiva com vigas de madeira aparentes, chamada de fachwerk na região) estão entre as mais coloridas da Alsácia. Fica a poucos minutos de Colmar, mas recebe uma fração dos visitantes.
Monteriggioni, Toscana (Itália)
Monteriggioni foi construída pela República de Siena entre 1213 e 1219 para demarcar a fronteira com Florença. Suas 14 torres dispostas em círculo são famosas o suficiente para terem sido citadas por Dante n’A Divina Comédia (Canto XXXI do Inferno), comparando os gigantes do poema às torres da cidade vistas de longe. O núcleo é pequeno, dá para percorrer a pé em menos de uma hora, o que faz dela um contraponto tranquilo às cidades toscanas mais movimentadas como San Gimignano.
Třebíč, República Tcheca
Třebíč é um caso raro: seu bairro judeu e a Basílica de São Procópio (do século XIII) formam um dos poucos sítios do Patrimônio Mundial da UNESCO ligados à cultura judaica localizado fora de Israel. O bairro preserva sinagogas, um antigo cemitério judeu e o traçado urbano quase intacto de uma comunidade que existiu ali por séculos antes do Holocausto.
Visby, Gotland (Suécia)
Visby foi um dos principais portos da Liga Hanseática entre os séculos XII e XIV, e ainda preserva cerca de 3,4 km de muros medievais praticamente completos, o conjunto urbano mais bem conservado da Escandinávia. Dentro da cidade murada há ruínas de mais de dez igrejas medievais que nunca foram reconstruídas após os incêndios que a atingiram ao longo dos séculos, ficando como esqueletos de pedra em meio às ruas.
Provins, França
A cerca de uma hora de Paris de trem, Provins foi sede de uma das maiores feiras comerciais da Europa medieval, atraindo mercadores de tecidos, especiarias e couro entre os séculos XII e XIII. A Torre César, do século XII, ainda domina a paisagem, e a cidade organiza recriações históricas dessas feiras medievais em datas específicas do ano, uma forma de ver a cidade “em uso”, não só como cenário estático.
Sighișoara, Romênia
Sighișoara é o único núcleo medieval habitado continuamente na Transilvânia. Fundada por colonos saxões no século XII, tem nove torres remanescentes (de originalmente 14), cada uma construída e mantida por uma guilda de artesãos diferente, daí nomes como Torre dos Sapateiros ou Torre dos Alfaiates. É também a cidade natal de Vlad III (Vlad Țepeș), que inspirou o personagem Drácula.
Por que vale sair do roteiro tradicional
Essas sete cidades têm um ponto em comum além da arquitetura preservada: cada uma guarda um detalhe específico, um pedágio medieval, um verso de Dante, uma guilda de artesãos, um cemitério judeu, que conta uma história particular daquele lugar, e não uma história genérica sobre “a Idade Média europeia”. É esse tipo de detalhe que faz a diferença entre visitar uma cidade bonita e entender por que ela é daquele jeito.
Para quem monta o roteiro: Besalú e Eguisheim combinam bem com uma viagem que já passe por Girona ou Colmar; Provins é viável como bate-volta de Paris; Monteriggioni fica a 15 minutos de carro de Siena. Já Visby (ilha de Gotland) e Sighișoara exigem planejamento à parte, mas compensam justamente por receberem bem menos turistas que os destinos vizinhos mais conhecidos.



