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Guédelon e o castelo que está sendo construído hoje com técnicas do século XIII

Guédelon é um castelo medieval que está sendo construído agora, desde 1997, numa floresta da Borgonha, no centro da França, a cerca de 2 horas de carro de Paris. A obra usa só materiais, ferramentas e técnicas do século XIII: não há guindastes elétricos, betoneiras nem cimento. Os pedreiros, carpinteiros e ferreiros trabalham de roupa de época, na frente do público, e a visita acontece no meio do canteiro. Este guia explica por que o castelo está sendo erguido, como a obra funciona, quando deve ficar pronta e tudo o que você precisa para visitar em 2026.

Torres e muralhas de arenito do castelo de Guédelon, construído com técnicas do século XIII na Borgonha, França
Foto: Rolf Krahl / Wikimedia Commons (CC BY 4.0).

O que é Guédelon e por que alguém decidiu construir um castelo agora?

A ideia nasceu de outro castelo. O empresário francês Michel Guyot comprou em 1979 as ruínas do castelo de Saint-Fargeau, a poucos quilômetros dali. Em 1995, um estudo feito pela equipe dele encontrou fundações medievais sob as paredes de tijolo, e surgiu a pergunta: como era construído um castelo daquela época? Em vez de só pesquisar em livros, Guyot e a parceira de projeto, Maryline Martin, resolveram construir um do zero.

A primeira pedra foi colocada em 20 de junho de 1997, numa antiga pedreira de arenito perto de Treigny, no departamento de Yonne. Em 1998 o canteiro já recebia visitantes. O modelo escolhido foi o dos castelos construídos na época do rei Filipe Augusto, entre os séculos XII e XIII, com planta quadrada e torres nos cantos. É o que os historiadores chamam de arqueologia experimental: testar na prática como as coisas eram feitas.

Quem seria o “dono” do castelo?

Para que as escolhas da obra façam sentido histórico, o projeto inventou um proprietário. O castelo seria de Guilbert Courtenay, um senhor de pouca importância da região de Puisaye, nascido em 1199 e vassalo de Jean de Toucy. A obra se passa, na ficção, em 1229. Por isso Guédelon não tem fosso nem ponte levadiça: é a residência fortificada de um nobre modesto, e não uma fortaleza real. Esse detalhe orienta tudo, do tamanho das torres à decoração dos quartos.

De onde vêm a pedra, a madeira e as telhas?

Quase tudo sai do próprio terreno ou dos arredores, como acontecia no século XIII:

  • Pedra: o arenito é extraído na pedreira ao lado do castelo e cortado à mão pelos canteiros.
  • Madeira: o carvalho vem da floresta vizinha e é trabalhado com machado e enxó.
  • Telhas e cerâmica: moldadas com argila local e queimadas num forno do próprio canteiro.
  • Cordas: trançadas com cânhamo da região.
  • Argamassa: feita com cal, areia e água, sem cimento.
  • Tinta: pigmentos minerais, como o ocre, usados nas pinturas murais dos quartos.
Telhas de barro moldadas e queimadas no próprio canteiro de Guédelon, sobre muro de arenito
Foto: Cinoworus / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Como os pedreiros levantam blocos de pedra sem guindaste moderno?

Com a mesma máquina usada na Idade Média: o guindaste de roda. É uma grande roda de madeira em que uma pessoa caminha por dentro, como numa roda de hamster. O movimento enrola uma corda num eixo e ergue blocos de pedra e vigas até o alto das muralhas. Em Guédelon, essas rodas funcionam todos os dias, e é uma das cenas que mais chamam a atenção dos visitantes.

Guindaste medieval de roda de madeira, movido por uma pessoa caminhando dentro dela, junto à muralha de Guédelon
Foto: François de Dijon / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

O que a obra já ensinou aos historiadores?

Em 2014, a série Secrets of the Castle, da BBC, chamou Guédelon de “o maior experimento arqueológico do mundo”. Construir de verdade permite medir quanto tempo levava cada tarefa, quanta gente era necessária e quais ferramentas funcionavam melhor, perguntas que os documentos medievais quase nunca respondem.

O conhecimento acumulado ali saiu da floresta: técnicas desenvolvidas em Guédelon foram usadas na reconstrução da catedral de Notre-Dame de Paris, depois do incêndio de 2019. Para quem visita, o resultado mais bonito está nos quartos já terminados, como o quarto de hóspedes, com paredes pintadas com pigmentos minerais.

Quando o castelo vai ficar pronto?

A previsão atual é de conclusão entre 2030 e 2035. A torre do pombal recebeu o telhado em 2023, as duas torres de entrada foram erguidas em 2024, e o telhado das torres do portão começou em 2026. Nesta temporada, os canteiros trabalham na porta entre as duas torres e no forro de madeira do quarto do senhor. A torre principal, a torre de menagem, deve ser a última a ficar pronta. Estão previstos ainda uma capela e um moinho d’água, que já mostra aos visitantes como funcionava a moagem no século XIII.

Quem paga uma obra que dura mais de 30 anos?

Em 1997, o projeto começou com cerca de €400 mil reunidos entre a União Europeia, governos locais e empresas. Hoje, a obra se sustenta com o dinheiro dos ingressos, da loja e dos restaurantes. Guédelon recebe cerca de 300 mil visitantes por ano, entre eles uns 50 mil estudantes, e é o terceiro monumento mais visitado da região Borgonha-Franco-Condado. Trabalham no projeto cerca de 100 pessoas, das quais umas 45 são artesãos.

Dá para trabalhar como voluntário em Guédelon?

Sim. Cerca de 700 voluntários por ano passam alguns dias no canteiro aprendendo ofícios tradicionais ao lado dos artesãos. As inscrições e as condições são publicadas no site oficial, guedelon.fr. É preciso falar francês ou inglês para acompanhar as orientações.

Quanto custa e quando Guédelon abre em 2026?

TemporadaDe 2 de abril a 1º de novembro de 2026
HorárioAbril a junho, outubro e novembro: 10h às 17h30 (18h aos sábados e feriados). Julho e agosto: 9h30 às 18h30
FechamentoFora das férias escolares francesas, pode fechar em algumas terças e quartas
Adulto€19 a €21
Criança de 5 a 17 anos€13 a €15
Menores de 5 anosGrátis
EstacionamentoGratuito
Tempo de visita2h30 a 3h

Em julho e agosto, o canteiro chega a receber 3 mil visitantes por dia. Confira o calendário no site oficial antes de ir, porque os dias de fechamento mudam a cada ano.

Qual o melhor horário para ver os artesãos trabalhando?

Chegue na abertura. De manhã, a pedreira e o corte de pedra estão no ritmo mais intenso. À tarde, os carpinteiros e os ferreiros costumam concentrar as demonstrações. Maio, junho e setembro têm o melhor equilíbrio entre obra em andamento e pouca fila. Reserve de 2h30 a 3h para a visita, ou mais de 4 horas com crianças pequenas. O terreno é de terra, então vá de tênis e, com bebê, prefira um carrinho para trilha.

Ovelhas pastando no gramado diante da torre e do corpo principal do castelo de Guédelon
Foto: Benoît Prieur / Wikimedia Commons (domínio público, CC0).

Como chegar a Guédelon saindo de Paris?

Guédelon fica a cerca de 170 km de Paris, na estrada D955, em Treigny. O trajeto de carro leva cerca de 2 horas, pela autoestrada A6 até Nitry e depois por estradas secundárias. Não há transporte público até o castelo, então o carro é indispensável. Quem prefere não dirigir desde Paris pode ir de trem até Auxerre e alugar um carro lá: de Auxerre a Guédelon são cerca de 45 minutos. O estacionamento no local é gratuito.

O que ver perto de Guédelon?

  • Castelo de Saint-Fargeau: a cerca de 10 minutos, é o castelo que deu origem ao projeto. No verão, tem espetáculo noturno de som e luz às sextas e sábados.
  • Saint-Sauveur-en-Puisaye: a uns 5 km, terra natal da escritora Colette, com um museu dedicado a ela.
  • Castelo de Ratilly: outro castelo medieval da região de Puisaye aberto a visitas.

Fontes

Informações revisadas em outubro de 2026. Preços e horários mudam a cada temporada, então confirme em guedelon.fr antes de ir.