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Trovadores occitanos e onde conhecer essa tradição

Página de um cancioneiro medieval de trovadores occitanos, com texto e ilustração
Foto: Chansonnier C, Bibliothèque nationale de France / Wikimedia Commons, Public domain

No fim do século XI, no sul da atual França, apareceu uma poesia nova: canções em língua occitana, a língua então falada da Aquitânia à Provença, sobre o amor por uma dama inacessível, o fin’amor. Seus autores eram os trovadores. Alguns eram nobres, outros eram filhos de padeiros ou de servos que subiram na vida graças ao talento. Eles influenciaram os Minnesänger alemães, os poetas italianos e a poesia galego-portuguesa. Há quase mil anos dessa história, ainda existem lugares onde ela pode ser visitada, e até uma instituição que segue premiando poetas como no século XIV.

Poitiers: o salão do primeiro trovador

O primeiro trovador cujas canções sobreviveram foi um duque: Guilherme IX da Aquitânia (1071–1126), conde de Poitiers e avô de Leonor da Aquitânia. Suas onze canções vão do amor cortês à piada obscena, o que diz muito sobre o gênero no começo. A corte da família ficava no Palácio dos Condes de Poitou, em Poitiers, no centro-oeste da França.

Fachada do Palácio dos Condes de Poitou e Duques da Aquitânia, em Poitiers
Foto: Benjamin Smith / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O grande salão do palácio foi reconstruído pelos Plantagenetas por volta de 1200, já na época de Leonor, e reformado no fim do século XIV pelo duque Jean de Berry, com lareiras monumentais. Em 1429, foi ali que Joana d’Arc foi examinada por teólogos antes de seguir para Orléans. O prédio serviu de tribunal até 2020, quando passou para a prefeitura e virou espaço cultural. Hoje o grande salão está aberto, com visitas guiadas às quartas e aos fins de semana, enquanto o resto passa por obras. Como chegar: Poitiers fica a cerca de 1h20 de TGV de Paris.

Ventadour: as ruínas do castelo de Bernart

Bernart de Ventadorn, um dos trovadores mais admirados do século XII, teria nascido no castelo de Ventadour, no Limousin, filho de um servo, segundo a biografia escrita depois. A tradição diz que ele se apaixonou pela mulher do senhor do castelo e teve de partir. Depois, passou pela corte de Leonor da Aquitânia. Suas canções estão entre as poucas da época cujas melodias foram preservadas.

O castelo hoje é uma ruína no alto de um promontório rochoso sobre o vale, perto da vila de Moustier-Ventadour, na região de Corrèze. A visita é ao ar livre, e a estrutura é cuidada por uma associação local, que costuma abrir o local e organizar atividades no verão. A região é rural, e só se chega de carro. As cidades mais próximas são Égletons e Ussel.

Toulouse: a academia que premia poetas desde 1324

No século XIII, o sul da França passou ao domínio do rei francês, as cortes locais que sustentavam os trovadores perderam poder, e a poesia occitana entrou em declínio. Em 1323, sete burgueses de Toulouse criaram o Consistori del Gai Saber (“Consistório da Gaia Ciência”) para manter viva a arte dos trovadores. No ano seguinte, em 3 de maio de 1324, organizaram o primeiro concurso de poesia, com uma violeta de ouro como prêmio.

A instituição mudou de nome ao longo dos séculos e hoje se chama Académie des Jeux Floraux. É considerada a mais antiga sociedade literária da Europa ainda em atividade. Todo 3 de maio ela mantém a cerimônia de premiação, com flores de ouro e prata como prêmios, e poemas em francês e em occitano. A sede fica no Hôtel d’Assézat, um palacete renascentista do centro de Toulouse que também abriga a Fundação Bemberg, um museu de arte aberto ao público.

Pátio renascentista do Hôtel d'Assézat, em Toulouse, sede da Académie des Jeux floraux
Foto: Léon Auguste / Wikimedia Commons, CC0

Como chegar: Toulouse tem aeroporto com voos de Lisboa, Paris e Madri, e fica a cerca de 4h20 de TGV de Paris. Ao andar pela cidade, repare nas placas de rua: muitas são bilíngues, em francês e occitano, um sinal de que a língua dos trovadores ainda é ensinada e falada na região.

Ouvir, não só visitar

Parte da música dos trovadores sobreviveu em manuscritos chamados cancioneiros, que registram letras e, em alguns casos, melodias. Os mais importantes estão na Biblioteca Nacional da França, em Paris, e têm versões digitalizadas na plataforma Gallica, abertas ao público. Grupos de música antiga gravam esse repertório com instrumentos de época, e no verão igrejas românicas do sul da França costumam receber concertos de música medieval. A programação muda a cada ano, então vale consultar os escritórios de turismo locais antes da viagem.

Transporte, melhor época e documentos para a viagem estão reunidos no guia da França.

Fontes

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