Boa parte dos Países Baixos fica abaixo do nível do mar. Se ninguém tirasse a água das terras baixas, cidades, fazendas e estradas viveriam alagadas. Kinderdijk, a cerca de 15 km de Rotterdam, é o lugar onde dá para ver como isso era feito antes da eletricidade: 19 moinhos de vento enfileirados ao longo de canais, construídos entre 1738 e 1740 e tombados pela UNESCO em 1997. Alguns ainda são habitados por moleiros e giram em dias de vento.
Por que tantos moinhos num lugar só?
A região se chama Alblasserwaard e é um polder, uma área de terra cercada de diques onde o nível da água precisa ser controlado o tempo todo. Com o tempo, o solo foi afundando e a água precisava ser erguida cada vez mais alto até chegar ao rio. Um moinho sozinho não dava conta. A solução foi trabalhar em etapas: as fileiras de moinhos levavam a água do polder para grandes reservatórios elevados, chamados boezems, e dali ela seguia para o rio Lek.
Dá para ver dois tipos de moinho ao longo dos canais. Os da Nederwaard, de 1738, são redondos e de tijolo. Os da Overwaard, de 1740, são octogonais e cobertos de palha. A diferença tem a ver com quem mandou construir cada grupo: eram duas administrações de água diferentes, cada uma cuidando da sua parte do polder.

Os moinhos ainda funcionam?
Sim, mas como reserva. Desde o século XIX, bombas a vapor e depois elétricas passaram a fazer o trabalho pesado. A antiga estação a vapor de Wisboom pode ser visitada e mostra essa transição. Hoje quem drena o polder no dia a dia são estações de bombeamento modernas, mas os moinhos continuam em condição de trabalhar e são acionados regularmente. Vários deles têm moleiros morando dentro, com a família, como acontecia no século XVIII.
Dois moinhos funcionam como museu: o Nederwaard e o Blokweer. Por dentro, é possível ver como uma família vivia em poucos metros quadrados, com a cama embutida na parede, a cozinha junto ao eixo e o barulho constante das engrenagens. Também dá para ver o mecanismo que transforma o giro das pás no movimento da roda que empurra a água.


Precisa pagar para ver?
Não para caminhar. Os caminhos de pedestres e ciclovias ao longo dos canais são públicos, e dá para ver e fotografar todos os moinhos por fora sem ingresso. O bilhete pago, comprado no site oficial, dá acesso aos dois moinhos-museu, à estação de Wisboom, ao filme do centro de visitantes e ao passeio de barco pelo canal. Em 2026, ele custa cerca de €18 para adultos em dias de semana e €19,50 em fins de semana e feriados. Crianças de 4 a 12 anos pagam de €6,50 a €8, e menores de 4 não pagam.
O parque funciona todos os dias, das 9h às 17h30 durante a maior parte do ano. De novembro a dezembro, o horário é reduzido (10h30 às 16h) e fecha no dia 25 de dezembro.
Erros comuns de quem vai pela primeira vez
- Chegar ao meio-dia no verão: é o horário em que chegam os grupos de excursão. Às 9h ou depois das 16h o lugar fica bem mais calmo, e a luz do fim de tarde é a melhor para fotos.
- Esperar ver todos os moinhos girando: eles só giram com vento e quando os moleiros decidem acionar. No verão, alguns sábados têm programação com vários moinhos em movimento. A agenda sai no site oficial.
- Ir sem casaco: o terreno é aberto e venta muito, mesmo em julho, quando o Brasil está de férias e a Holanda está no verão.
- Esquecer a Semana dos Moinhos: em setembro, a Molenweek (semana nacional dos moinhos) abre moinhos normalmente fechados em vários pontos do país.
Melhor época
Abril e maio têm dias mais longos, campos verdes e menos gente que o verão. Julho e agosto têm o melhor clima, mas também o maior movimento. No inverno, o parque abre com horário reduzido. Em anos de frio forte, os canais congelam e as pessoas patinam entre os moinhos, mas isso não acontece todo ano.
Para transformar a leitura em roteiro, consulte o guia de Norte e Leste da Europa.
Fontes
- Kinderdijk (site oficial): kinderdijk.com
- UNESCO: Mill Network at Kinderdijk-Elshout
- City Guide Rotterdam: Waterbus ferry boat service in Rotterdam
Valores revisados em outubro de 2026. Confirme no site oficial antes de ir.
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Helena Nascimento é formada em História e mora no interior de São Paulo, em uma cidade turística. No lunova3, pesquisa a história de vilarejos, castelos e tradições da Europa e organiza guias em português para quem está planejando uma viagem, com fontes oficiais citadas e dados conferidos.